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Deputado Hauly  lembra papel da indústria automobilística na economia brasileira

Deputado Hauly lembra papel da indústria automobilística na economia brasileira


Aos 49 minutos da sessão solene que celebrou os 70 anos da indústria automotiva, o deputado Luiz Carlos Hauly (PODE-PR) discursou destacando o desenvolvimento da indústria automobilística como um projeto de nação.

Abaixo confira a íntegra:


Sr. Presidente Chico Rodrigues, querido amigo de tantos e tantos anos; caríssimo Deputado Átila Lira, também grande amigo; caríssimo Presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, Arcelio Alceu do Santos Junior; Presidente da Anfavea, Igor Calvet; 1º Vice-Presidente, Marcus Vinícius Aguiar; Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores — Sindipeças, Cláudio Sahad, é com muita satisfação que venho aqui participar das homenagens dos 70 anos da Anfavea, uma instituição que se confunde com a própria história da industrialização do Brasil.

O Brasil tem o quinto maior território do mundo, um dos mais ricos do planeta, e a sétima maior população do planeta — já fomos a quinta. A indústria automobilística brasileira nasceu como projeto de Nação. A independência industrial do nosso País iniciou-se em 1919 com a Ford, com o "Ford Bigode", Modelo T. Em 1925, a GM — General Motors também se instalou no Brasil. Na década de 40, instalou-se aqui a Fábrica Nacional de Motores — FNM, popularmente conhecida como "Fenemê". E, em seguida, instalou-se a CSN, que Getúlio negociou com os americanos para entrar na Segunda Guerra Mundial. O Brasil teve um papel relevante na libertação da Itália.

Em 1956, iniciou o Governo Juscelino Kubitschek, o grande estadista JK, o homem de visão que, em 5 anos, fez o que em 50 anos não se fez, o crescimento de 9,3% ao ano cresceu 45%. Nesse século XXI, não conseguimos crescer o que crescemos em 5 anos de Juscelino. É uma lástima! O Brasil teve uma média, de 1931 até 1980, de 6,3% de crescimento ao ano. De 1981 para cá, caímos para 2% e deixamos de ser a quarta maior economia.

Lá na época de Juscelino, criou-se o Geia — Grupo Executivo da Indústria Automobilística, e foi exatamente nesse momento que se criou a Anfavea, Calvet, essa instituição que você preside e pela qual grandes companheiros passaram. Eu estou há 35 anos nesta Casa e conheci muitos deles, metade dessa história. É uma parceira estratégica do desenvolvimento e da construção da indústria automotiva nacional, junto com o Sindipeças, a indústria de peças no nosso País.

O Brasil é o oitavo produtor mundial, com 2,5 milhões de veículos, mas tem capacidade para 4,5 milhões. Passamos a importar mais do que a consumir veículos internos, então temos um déficit. Em compensação, 100 bilhões de reais estão sendo investidos nesse momento — e acredito que vai ser maior em seguida. O meu amado Paraná é hoje o segundo ou o terceiro maior polo de peças e de montadoras de veículos, com grandes empresas no Estado.

O Brasil ficou para trás e continua sendo um mercado que diminuiu a sua força. Somos a 11ª economia, mas o nosso direito é ser a quarta economia. E eu estou aqui para dizer à indústria automobilística e de peças no Brasil, a toda a cadeia produtiva que nós precisamos retomar isso. As nossas exportações são excelentes, temos superávit, mas são dois terços de commodities.

Quando eu fiz a Lei Kandir, a lei de exportação, e inseri aquele artigo da desoneração dos produtos in natura e semielaborados, não imaginei que haveria obstáculos ao desenvolvimento da indústria nacional de manufatura, quer dizer, exatamente no momento em que a China começa a disparar na década de 80, nós começamos a marcar passo. Faltou uma estratégia nacional de desenvolvimento. Como a China, comunista, cria uma região capitalista e se torna o país que mais cresce no mundo? E nós, que já éramos uma economia na década de 80, passamos a perder espaço por falta de uma estratégia, de uma política nacional definida.

O Brasil não é um país pobre, é um país travado. Por isso, a saída é destravar o Brasil, é implantar plenamente o IVA 5.0, que é a solução para essa bagunça do sistema tributário do consumo. Ela já está aprovada e entrará em vigor, mas temos outra missão, que eu sei que mexe com vocês: nós temos que negociar a antecipação do IVA para 2027 ou, no máximo, 2028. Trazemos a valor presente os incentivos, vemos o que tem que ser pago das dilatações de prazo, etc. Espero que neste ano ainda isso seja possível. Já tenho coletado assinaturas para uma PEC nesse sentido.

Temos que barrar a ganância do Imposto Seletivo. Ele não se presta ao desenvolvimento. (Palmas.) Ele onera os produtos, onera o produto nacional e o consumo. É o maior erro que o Brasil comete tributar cigarros, bebidas e veículos. É mais do que o dobro da tributação internacional a do veículo — nem quero comparar com a dos Estados Unidos, que é quatro vezes menor.

Nós temos que reduzir essa insana taxa de juros, tanto os juros primários de Governo quanto os juros ao consumidor. O Brasil deixou o seu consumidor se endividar com juros sobre juros. Uma dívida hoje de 10 mil reais era de mil reais — o resto é juros, Senador Chico. É presente de grego esse sistema e mata o nosso consumidor, que poderia, com mil reais ou 2 mil reais por mês, comprar um carrinho novo. Temos que reduzir a carga tributária do consumo, transferindo-a aos poucos para a renda, como a OCDE já fez, como os Estados Unidos já fazem há décadas. Temos a menor carga tributária de renda e a maior carga tributária do planeta sobre o consumo: 75% da nossa carga estão sobre os preços dos bens e serviços. Por isso, o pobre paga mais de 50% de impostos e perdeu a sua capacidade de consumir, juntamente com a taxa de juros. Esses são os dois maiores inimigos do crescimento do Brasil.

O futuro Presidente da República que não atacar isso não estará fazendo transformação, porque até agora não atacaram. Estão fazendo só remendo para o estrago. Qual é o remendo do estrago? Tentar sanar a dívida dos pequenos com o próprio dinheiro deles, os depositados e esquecidos, com o Fundo de Garantia, que é patrimônio do trabalhador. Está bem claro isso para mim.

Então, adotaram uma desoneração total. O IVA já prevê isso. Exportação e bens do ativo fixo são zero, zero, zero. Acabar com os outros impostos-pendura, tipo IOF, todos os outros tributos, e fazer um Simples junto, dentro da cadeia produtiva, dentro do IVA, automático, esse é outro projeto que eu tenho.

O Brasil do século XX vocês ajudaram, Anfavea, autopeças, mas agora é para valer. A indústria do século XXI, no primeiro quarto de século, perdemos. Temos que reagir. Temos tudo, tecnologia, mão de obra qualificada, temos o Sistema S para isso. Temos matéria-prima, energia, indústria boa — a de todo o mundo está aqui — e mercado. Não nos falta capacidade, falta-nos destravar o País para crescer.

Agora, mais do que nunca, vocês poderão ajudar o Brasil a partir do novo Governo, que espero seja um Governo mais liberal, sem as amarras que tem hoje. Nós queremos estar, daqui a 25 anos, entre as quatro ou cinco maiores economias do mundo. O que nos falta não é potencial, é decisão e coragem para destravar tudo de uma vez, como faremos com o IVA a partir do ano que vem. Vocês fazem parte deste País, venham de onde vierem o capital e a tecnologia. Somos todos brasileiros trabalhando para o mesmo objetivo, para a construção desta Nação, onde o sol e o céu são os mais límpidos e os mais bonitos do mundo. Aqui é a Nova Canaã. O Brasil é uma pátria maravilhosa.

Por isso, eu quero pedir a Deus que abençoe vocês empresários, gerentes e funcionários de toda a indústria brasileira, os produtores rurais, os do comércio, os da área de serviços e essa população maravilhosa brasileira.

Um abraço fraterno do sempre amigo Hauly! (Palmas.)

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